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Estamos o tempo todo fazendo escolhas. Esse ou aquele. Por ali ou por aqui. Encontrar ou partir. O processo de curadoria é também um caminho-processo sinuoso de decisões. Um plano inicial com muitos desvios e curvas que resvalam em outro caminho. Trazendo sempre descobertas e surpresas. Ver todos os 23 filmes reunidos, produzidos em 15 países, é desvendar como, depois de todo esse processo, eles se comunicam entre si.

A constante procura reflete a certeza de estarmos vivos. Uma espécie de lobotomia enigmática que nos alimenta. Em “Fim de Semana”, Russel deseja se conhecer através do outro. Busca. “Separado!” é uma aventura psicodélica, onde Gruff Rhys, vocalista do grupo Super Furry Animals, procura por seu tio, o famoso guitarrista patagão Rene Griffiths. Busca. “Bellflower” mostra dois jovens atrás de respostas para o fim, mesmo que ele seja imaginário. Dois fantasmas tomam um caminho onírico para chegar à vida em “Finisterrae”. Buscam. Em “Flores do Mal” o caminho é pungente e desemboca na era digital. Enfim, o encontro.

Ser jovem e a infinitude do agora. Uma jovem japonesa vai parar na pequena cidade californiana de Littlerock, sem falar inglês, se apaixona. Será que ali é seu lugar? E voltar para seu país seria o mesmo de voltar para casa? Em “Hi-So” o estranhamento de não pertencer a lugar nenhum. E qual seria o lugar de um homem morto? Em “Eternidade” o fantasma que retorna e relembra a vida ao lado da mulher amada.

Filmes poderiam até ser apenas narrativa, forma e linguagem, se não houvesse a chave da identificação - cada um encontra seu encantamento, sua alegria, seu recolhimento - a nós cabe apresentá-los a vocês, mas a escolha e o entendimento serão sempre do espectador. (Daniella Azzi e Pedro Tavares)